
Recebi este texto de um amigo e resolvi publicá-lo porque ilustra muito bem a experiência de quem, assim como eu, torna-se pai de primeira viagem. Espero que gostem. Leiam com carinho!
Neste breve período em que me tornei pai – há 40 dias –, aprendi que existe algodão de bolinha para vender. Mais: algodão de bolinha em saquinhos plásticos.
Aprendi que não precisa esperar sua filha crescer para começar a conversar com ela. E que não se deve ter medo de segurar a criança no colo, afinal não quebra. Cristais quebram. Aço quebra. Uma criança nos braços dos pais não quebra. Aprendi que não é necessário chamar a vovozinha, a sogra, a vizinha ou Jesus Cristo para dar o primeiro banho na sua filha. Nem o segundo, o terceiro, o quinto e até o quadragésimo. Você mesmo vai saber fazer isso melhor acontecimento do dia. Com todo o cuidado, que é para não cair sabão nos olhos dela. E, creia-me: não cai.
Aprendi também que se você não estiver preparado para chorar muito, quase feito um bebê tão recém-nascido quanto sua filha, não coloque para tocar o “Concerto para Piano em Fá Menor” de Johann Sebastian Bach quando ela fizer cinco dias de vida. Não faça isso.
Aprendi que uma dor qualquer na sua filha dói à décima potência em você. Que você sufoca se ela não respirar direito. Que seu estômago ferve quando ela tem cólica. Aprendi que um dia com uma criança que acabou de nascer tira mais a sua energia que se você passasse esse mesmo tempo carregando pedras nas costas para o alto de um morro. Mas aprendi também que um minuto desse mesmo dia olhando para a sua filha lhe dá mais energia que ficar de férias um ano na praia ou pescando siri-patola de papo para o ar.
E que esse negócio de “nunca vou trocar uma fralda na vida” só serve para quem nunca teve filho. Você troca cantando. E que a mãe reúne mais forças e coragem que um batalhão inteiro marchando incentivado para a guerra.
Aprendi que o sono nunca mais será o mesmo. Que a vida não será mais a mesma. Que as perspectivas não serão mais as mesmas. E que o mundo não será mais o mesmo. O tempo não é mais seu: você almoça quando ela deixa, dorme quando ela permite, sai quando ela adormece e volta o mais rápido possível antes que ela acorde.
Aprendi que a gente é muito mais instinto que inteligência e que a inteligência não tem nada, absolutamente nada, com o instinto. Que não sou tão forte quanto imaginava e muito menos tão frágil quanto cheguei a pensar um dia. E que não existe modelo de pai, por melhor pai que você tenha tido, ou ainda tem a sorte de ter. E que aprender a ser pai é como aprender a andar de bicicleta: você tem de assumir todos os riscos – de cair, esfolar os cotovelos ou até perder um dente de leite. No final valerá a pena ter superado o medo. Ter pedalado, cambaleado para encontrar o equilíbrio.
Percebi que, por mais que você tenha vivido, viajado, rido, escutado, aprendido, enfim, por mais que você tenha realizado um monte de coisas, você fica com a impressão de que nunca fez algo que chegasse aos pés minúsculos da sua filha.
Aprendi que não importa o que ela vai ser quando crescer: mergulhadora em Fernando de Noronha, fotógrafa na Bósnia, cientista, advogada, médica ou jogadora de futebol. Só importa que seja feliz e se realize naquilo que faz.
E o mais importante: aprendo que não sei absolutamente nada sobre isso. Nada. Que o futuro não se mede mais no calendário, mas nos segundos que você supera a cada momento que esse milagre vai passando de graça diante dos teus olhos.
*Texto de Paulo Renato Coelho Netto, jornalista, pós-graduado em Marketing e acadêmico de Direito. É autor, entre outros, do livro “Mato Grosso do Sul”.

Luiz Junot
ResponderExcluirSer Pai, vai muito além do que imaginamos. É um sentimento único, e passamos desde os primeiros passos, até que os filhos cresçam, preocupados com o seu futuro.
O maior orgulho, é quando crescem, e percebemos que tudo que lhes foi ensinado, foi assimilado. Ainda mais, quando seguem os nossos passos na profissão. Por isso, me orgulho de você, meu filho.
E o que dizer dessa foto?
ResponderExcluirFala muito mais do que mil palavras!
Esse sorriso tão... tão!